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IAHPC Fact Sheet Series

IAHPC gratefully acknowledges the support by the AMARA group and by Dr. Isabel Neto from Portugal in doing this translation.

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Available in Portuguese in MS.Word Format

Fact Sheet 6

Introdução

Os centros de dia destinam-se aos doentes de Cuidados Paliativos que não estão hospitalizados, permitindo-lhes sair de casa durante um certo número de horas. Eles conferem um novo sentido e dignidade às suas vidas, ao mesmo tempo que acompanham o seu estado e vigiam o seu programa de tratamento. Além disso, oferecem algum tempo de descanso aos familiares.


Contratação de pessoal para um centro de dia

A qualidade do pessoal que presta Cuidados Paliativos é fundamental. Deve ser designado um coordenador (ou cargo semelhante), que será, normalmente, um enfermeiro, um terapeuta ocupacional ou um assistente social familiarizado com os cuidados médicos. É essencial que essa pessoa trabalhe a tempo inteiro, ou quase inteiro, ainda que os doentes apenas frequentem o centro de dia entre as 10 horas e as 15 horas.

Também é essencial um enfermeiro a tempo parcial, a não ser que o coordenador seja enfermeiro e tenha tempo para prestar cuidados de enfermagem. Um fisioterapeuta e um terapeuta ocupacional, ambos com experiência em Cuidados Paliativos modernos, são igualmente necessários. A maior parte do pessoal será constituída por voluntários não pagos, cuidadosamente seleccionados, num rácio de um voluntário para dois doentes.

Instalações e Equipamento

Para um centro de dia poder funcionar necessita, no mínimo, de uma sala de grandes dimensões, com acessos, sanitários e mobiliário adequados para deficientes, armários espaçosos, instalações para cozinhar refeições simples e um pequeno escritório para o pessoal. Quanto menor for a distância entre o centro e o parque de estacionamento, melhor. É preferível que o centro seja propositadamente construído com várias salas para diferentes funções, algumas delas equipadas para trabalhos manuais, carpintaria e cerâmica. Outros espaços serão destinados a actividades mais calmas. Neles se poderá conversar ou organizar diversões moderadas, como ouvir música, ler poesia, fazer demonstrações de tapeçaria, etc.

O mobiliário e o ambiente devem criar uma atmosfera caseira e não clínica, mas adequada para pessoas muito incapacitadas e frágeis.

Funcionamento de um centro de dia

Os doentes são tratados em casa, estando a cargo de familiares e enfermeiros e médicos extra-hospitalares, e eventualmente assistidos por profissionais de Cuidados Paliativos que os visitam. É então decidido que frequentem o centro de Cuidados Paliativos um dia ou dois por semana. Normalmente, fazem uma visita experimental para ver se conseguem estar um dia fora de casa e se gostam da unidade e do seu pessoal.

São transportados para o centro de dia e de regresso a casa por voluntários, nas suas viaturas particulares. O dia começa às dez da manhã e termina às 15 horas, quando os doentes voltam para casa. Se for considerado que os doentes estão tão debilitados ou em risco que necessitam de um acompanhante profissional, não são normalmente trazidos para o centro.

À chegada, é-lhes normalmente oferecido um chá, café ou outra bebida que desejem. O resto da manhã é passado em actividades criativas escolhidas pelo terapeuta ocupacional, de acordo com as necessidades e os interesses específicos de cada doente. O almoço é tomado sem pressas e igualmente adaptado às necessidades dos doentes, sendo-lhes prestada toda a assistência de que precisem. À tarde, o programa é mais descontraído, ficando os doentes sentados a ouvir música ou a assistir a uma palestra dada por um pintor, cozinheiro ou actor local. Eventualmente ficarão apenas sentados a descansar no ambiente sereno criado precisamente para esse fim.

Entre as actividades habitualmente praticadas incluem-se a pintura, o modelismo, a encadernação, a filatelia, a decoração de bolos, a cerâmica, a feitura de decorações para as festividades, a tecelagem, a tapeçaria, mas os doentes também podem sentar-se apenas tranquilamente a olhar pela janela, sentindo-se seguros entre pessoas que parecem compreender aquilo que sentem! Note-se que tais actividades não se destinam a desviar a atenção da gravidade da doença ou do seu mau prognóstico. As actividades são criativas e, em todos os sentidos, terapêuticas, sendo escolhidas pelo doente, aconselhado pelos profissionais, de acordo com as suas necessidades. Uma pessoa que tenha dificuldade em exprimir afecto por um ente querido, mas que sabe até que ponto está doente, poderá gostar de fazer alfinetes de esmalte para lhe oferecer. Um homem que sempre tenha tido jeito para pescar pode gostar de ensinar aos outros a fazerem os seus próprios iscos. Outro poderá ter há muito a ambição de pintar e querer experimentar agora, fazendo, assim, algo que a família guardará com carinho durante muitos anos após o seu falecimento.

Aspectos clínicos de um centro de dia

Ninguém nega que estes centros se destinam a pessoas muito gravemente doentes, embora todos os esforços sejam feitos para criar um ambiente de convívio e não clínico. Isto é muito importante. O sentimento de felicidade existente no centro de dia não é superficial nem criado artificialmente. O enfermeiro está sempre à mão (e nos centros maiores também há um médico) e disposto a escutar novos problemas, dar conselhos sobre a medicação, contactar com o médico, falar com os familiares e responder a perguntas.

Tudo o que é novo ou importante é imediatamente comunicado ao médico do doente por telefone ou, se não for urgente, por carta. Os doentes trazem os medicamentos que devem tomar enquanto estão no centro de dia. As medicações são registadas, juntamente com as restantes informações, nos registos diários do centro.

Selecção do pessoal

A atmosfera emocional de um centro de dia tem uma importância fundamental, pelo que as decisões relativas à selecção do pessoal, remunerado ou voluntário, são particularmente importantes. O pessoal deve ser muito sensível às necessidades e aos sentimentos dos doentes. Também deve ser flexível, para que os planos possam ser alterados de um momento para o outro devido a uma ocorrência inesperada ou a algo que alguém diga ou faça. Os elementos do pessoal devem ser ouvintes sensíveis, mas nunca condescendentes, mais do que conselheiros.

Selecção dos doentes

Normalmente, os doentes não têm dificuldade em conviver uns com os outros, mesmo tendo diferentes patologias, desde que tenham em comum a debilidade, a dependência e os prognósticos graves. Podem surgir dificuldades quando alguns doentes do centro têm uma doença crónica mas não imediatamente mortal.
Concluiu-se que é importante avisar todos os doentes que a sua frequência do centro de dia, bem como os benefícios e a adequação dessa frequência serão analisados de 12 em 12 semanas. É, deste modo, possível impedir que o serviço seja assoberbado por doentes com doenças prolongadas.

Benefícios de um centro de dia

A principal rubrica das despesas é a respeitante aos salários. Os materiais para os trabalhos manuais podem ser comprados com as receitas da venda dos produtos acabados. As despesas com refeições e transportes são baixas.

Os doentes podem, assim, permanecer em casa durante mais tempo do que seria possível se o serviço não existisse e os seus familiares podem descansar um pouco enquanto eles estão fora de casa. Os doentes e, em alguma medida, os seus familiares, beneficiam do convívio com outras pessoas em situação semelhante. De formas mais subtis, os doentes são beneficiados pela filosofia positiva do centro e pela importância que este atribui a uma reabilitação realista, que lhes permite fazer mais coisas do que pensariam ser possível.

O centro de dia foi descrito como “uma reafirmação da vida que nunca nega a morte”.

IAHPC gratefully acknowledges the support by the AMARA group
and by Dr. Isabel Neto from Portugal in doing this translation.

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