IAHPC gratefully acknowledges the support by the AMARA group and by Dr. Isabel Neto from Portugal in doing this translation.
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Fact Sheet 3
Introdução
Diz-se frequentemente, e provavelmente será verdade, que, se todos os médicos e enfermeiros recebessem uma formação adequada no domínio dos Cuidados Paliativos, poderia nem haver necessidade de serviços de Cuidados Paliativos em nenhum lugar do mundo.
Consequentemente, e este aspecto nunca deverá ser esquecido, todos os programas de Cuidados Paliativos, por mais modestos que sejam, devem ter uma vertente pedagógica. A partilha de conhecimentos e competências com os colegas não é uma opção adicional, mas sim um aspecto fundamental deste trabalho.
Formação a nível interno
Todos os membros de uma equipa de Cuidados Paliativos devem beneficiar de um programa de formação evolutiva adequado à sua área e às suas necessidades. Poucos ramos da medicina ou da enfermagem se desenvolveram tão rapidamente como este, nos últimos anos.
Esse programa de formação deve contar com a dedicação exclusiva de um membro do pessoal, de preferência um enfermeiro, que poderá não ser necessariamente um orientador ou professor homologado. Cada membro do pessoal deve manter um registo pessoal das aulas, sessões de formação, jornadas de estudo e conferências a que assistiu.
O pessoal deve ser incentivado a frequentar jornadas de estudo ou conferências a nível local ou nacional. Há que prever o orçamento necessário para estas despesas.
Bibliotecas
Num serviço de Cuidados Paliativos, uma biblioteca não é um luxo. Ela é essencial, mesmo que tenha dimensões muito modestas, contendo apenas as principais obras de referência e os periódicos mais recentes.
Uma biblioteca vasta, bem fornecida, é uma vantagem. Os estudantes locais de medicina, enfermagem, assistência social e assistência religiosa podem utilizá-la e nela encontrar livros e revistas que não existem nas bibliotecas das suas próprias faculdades. Uma tal biblioteca reforça o prestígio profissional do centro de Cuidados Paliativos.
Se os médicos e enfermeiros conhecerem as necessidades da biblioteca, podem oferecer-lhe livros e revistas. Muitas revistas de Cuidados Paliativos de todo o mundo oferecem descontos especiais aos assinantes dos países menos desenvolvidos. É previsível que as bibliotecas dos centros mais bem equipados possuam ligações em rede, CD-Roms, microfichas, etc. Esses equipamentos não são, todavia, essenciais.
Vertente pedagógica
Todos os serviços de Cuidados Paliativos, independentemente da sua dimensão, têm a responsabilidade de ensinar outras pessoas. Este aspecto deve ser discutido nas fases iniciais de planeamento e o orçamento necessário garantido.
A experiência já existente em muitos países demonstrou que:
- o planeamento da actividade pedagógica é demasiadas vezes deixado para depois do início do trabalho clínico;
- há pouco debate e poucas tentativas de concertar esforços com as faculdades e os professores locais; há sobreposição e duplicação de tarefas no ensino; alguns grupos são muito apoiados, enquanto outros são ignorados;
- há tendência para se considerar que o ensino deve gerar receitas;
- existe relutância em nomear orientadores/professores homologados;
- são necessários cursos que ensinem os clínicos a dar formação.\
É impossível descrever como se deve desenvolver um programa pedagógico porque as situações variam muito entre as diferentes regiões do mundo.
Todavia, os seguintes princípios fundamentais são quase universalmente aplicáveis.
- 1. Debater as necessidades de ensino locais com os colegas médicos e enfermeiros que ocupam postos clínicos e académicos.
- 2. Dizer claramente o que a Unidade pode oferecer. Não tentar fazer tudo!
- 3. Não aceitar convites para ensinar temas sobre os quais o pessoal não tenha experiência ou que não conheça aprofundadamente. Por exemplo, parte-se sempre do princípio de que os trabalhadores dos Cuidados Paliativos são peritos na prática e no ensino da ética, coisa que poderá não ser verdade.
- 4. Criar um comité para supervisionar o ensino, composto por responsáveis de serviços de Cuidados Paliativos, professores universitários locais (medicina, enfermagem, assistência social e assistência religiosa) e um pedagogo não envolvido no trabalho clínico nem nos Cuidados Paliativos.
- 5. Utilizar técnicas pedagógicas modernas, quando estas estiverem disponíveis, mas não partir do princípio de que são essenciais. Um professor entusiástico e estimulante, num país subdesenvolvido, irá mais longe do que um professor menos competente munido de tecnologias modernas no Ocidente. A qualidade do ensino é a variável mais importante.
- 6. Recordar que a IAHPC pode fornecer informações sobre diapositivos didácticos, acetatos, vídeos, CD-roms, CD interactivos, livros, revistas, materiais de ensino à distância, bem como sobre a utilização da Internet.
- 7. Já existem muitos professores especializados em Cuidados Paliativos internacionalmente reconhecidos, que podem visitar países e centros interessados nas suas competências, ou que estão dispostos a prestar aconselhamento. A IAHPC pode fornecer informações sobre eles.
- 8. O ensino deve ser simples, concentrando-se nos aspectos fundamentais dos Cuidados Paliativos e não em aspectos de importância secundária.
- 9. Devem utilizar-se simulações e actores no ensino sobre os vários aspectos dos Cuidados Paliativos. Esta prática protege a privacidade dos doentes e já demonstrou a sua eficácia.
- 10. Em muitos países, foram concebidos programas de estudos eficazes. Não é necessário conceber outros.
Podem pedir-se informações à IAHPC sobre as entidades que facultam esses programas de estudos.
Equipamento básico e acomodação
Mesmo que as limitações financeiras não permitam o uso de projectores e salas de aula especializadas, poderá ministrar-se um ensino de elevada qualidade, se o orientador for pedagogicamente competente e experiente em matéria de Cuidados Paliativos.
O equipamento básico consiste num projector de diapositivos e/ou num retroprojector, quadros para canetas de feltro ou giz e uma sala que possa acomodar cerca de 15 a 20 pessoas.
Se for possível pagar melhores meios, deve dar-se prioridade à obtenção de salas maiores e em maior número e não aos equipamentos caros e sofisticados. A aprendizagem em grupo é muito útil na área dos Cuidados Paliativos.
Implicações financeiras
Como já foi dito, o ensino não gera receitas suficientes para beneficiar financeiramente um centro ou serviço de Cuidados Paliativos. É por isso que alguns administradores e gestores menos esclarecidos não atribuem ao ensino a prioridade elevada que este merece. Raramente, ou nunca, as receitas dos cursos cobrem sequer todas as despesas efectuadas.
Quando se consagram mais de 5 horas por semana ao ensino, deve ponderar-se a possibilidade de pôr um membro do pessoal remunerado, normalmente um enfermeiro mais qualificado, a coordenar o programa e a ministrar grande parte da formação. A maior parte dos países tem directrizes salariais aplicáveis à remuneração desses formadores, baseadas nas qualificações e na experiência.
De um modo geral, 80 a 85% das despesas correspondem a remunerações. Haverá benefícios financeiros e pedagógicos para todos os envolvidos, se for possível compartilhar um membro do pessoal com uma unidade ou uma faculdade vizinha.
IAHPC gratefully acknowledges the support by the AMARA group
and by Dr. Isabel Neto from Portugal in doing this translation.
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